Você já ouviu a expressão “vinhos amadeirados”? A origem do termo vem dos barris de madeira, parte do complexo processo de obtenção de um bom vinho. Afinal, a produção da bebida envolve muitos detalhes antes de chegar engarrafada ao consumidor final.

Nesse sentido, a utilização de barris de madeira – mais especificamente de carvalho – para armazenar e transportar o vinho é peça-chave na produção, que dá ao vinho novos sabores e aromas.

O Expert em vinhos Dionísio Chaves, explica a função da madeira utilizada nos barris. Entenda:

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Expert em vinhos Dionísio Chaves

A função da madeira

Em primeiro lugar, a madeira é repleta de substâncias capazes de agregar valor à bebida. O vinho absorve alguns aromas da madeira como, por exemplo, baunilha, cravo, canela, especiarias, cacau, café, etc. Por fim, esse processo provoca também uma micro-oxigenação, fazendo com que o vinho sofra uma ligeira evolução aromática e gustativa.

Os barris são usados nos processos de fermentação alcoólica e envelhecimento.

Os barris de carvalho

Desde a antiguidade, os barris de carvalho são os favoritos entre os produtores da bebida. Conhecida por ser uma árvore extremamente resistente, são catalogadas cerca de 600 espécies de carvalho pelo mundo. Porém, entre os tipos de carvalho utilizados para a vitivinicultura, os mais famosos são o americano e francês.

Todavia, não é somente a espécie da madeira que define a sua escolha pelos tanoeiros (fabricantes de barris), mas também a região na qual ele foi plantado. É o chamado “efeito terroir”, ou seja, a influência das características geográficas sobre a matéria-prima.

Além disso, outros fatores como tosta, tamanhos dos barris e vida útil, como mostraremos a seguir.

Não é somente a espécie da madeira que afeta os resultados, mas outros fatores como o efeito terroir, tosta, tamanho dos barris e vida útil.

Carvalho americano e francês, os mais utilizados

O carvalho americano (Quercus alba) é o mais utilizado pelas vinícolas e confere aos vinhos, em geral, um aroma mais adocicado ou frutado. No processo de extração, devido à estrutura mais densa da madeira, o carvalho pode ser serrado, causando menos perdas. Por outro lado, o carvalho francês (das espécies Quercus Pedunculata ou Quercus Sessilis) precisa ser “rachado” para manter seus “veios naturais”, causando mais perda de matéria-prima, que pode ser reutilizada para outros fins.

Falando em carvalho francês, ele costuma ser muito mais caro do que o oriundo dos EUA. A França já é referência no assunto desde o século XIX, e a fiscalização do país em relação à extração é bem rigorosa com relação à qualidade das madeiras. A indústria tanoeira, consequentemente, pode sempre ficar tranquila com a reputação do material.

O carvalho é uma árvore milenar, extremamente resistente condições climáticas variadas e intempéries.

Dos carvalhos franceses, existem variações de granulação e presença de taninos. Carvalhos com granulação mais fina são o “sonho de consumo” dos enólogos, pois permitem maior micro-oxigenação e maior influência positivas dos taninos no vinho.

O resultado da utilização do carvalho francês são aromas mais ligados ao tabaco e baunilha, com nuances mais rústicas.

Outros fatores que influenciam a produção das barricas

Além das espécies das madeiras e do efeito terroir, outros fatores influenciam na escolha dos barris perfeitos para a produção de vinhos:

Fatores que influenciam a produção de barris de vinho. Infográfico Zona Sul.

Tosta

O interior das barricas entra em contato diretamente com o fogo para determinar o desenvolvimento de diferentes aromas. O tipo de tosta influencia diretamente nestes resultados:

  • Leve: em contato com fogo por até 25 minutos, confere um caráter mais natural do carvalho, evidenciando aromas de baunilha, cravo ou canela.
  • Média: em contato com fogo por mais de 25 minutos, é utilizada na maioria dos tintos e fermentação de brancos. Traz ao vinho, além dos aromas de baunilha, notas de mel ou cacau.
  • Forte: em contato com fogo alto por mais de 25 minutos, é utilizada em blends com maior caráter defumado, com notas de café e toffee.

Tamanho

O tamanho dos barris tem importância na produção. Barris menores permitem que o vinho entre mais em contato com a madeira, resultando em vinhos mais amadeirados do que os armazenados em barris maiores. É uma proporção direta entre volume e superfície de contato.

Reutilização

Por não serem itens baratos, os barris são utilizados mais de uma vez pelas adegas. Mas, naturalmente, a barrica reutilizada passa ao vinho menos interferências de sabores e aromas. Por isso, as vinícolas costumam destinar os “barris de primeira viagem” aos seus grandes vinhos de guarda.

Agora que você sabe como os vinhos armazenados e amadurecidos em barris de carvalho são especiais, confira a seguir a seleção de vinhos argentinos da Bodega Los Toneles para degustar nesse friozinho de inverno.

Vinho Tinto Argentino Tonel 22 Malbec

De cor vermelho rubi, com aromas de frutas vermelhas frescas, baunilha e tabaco. Amadurecido 6 meses em barricas de carvalho. Na boca, tem bom corpo, taninos finos, equilibrado e com fundo de boca agradável. Esse vinho é ótimo para prato principal e acompanha bem churrasco, feijoada e queijos meia cura.

Vinho Tinto Argentino Tonel 22 Cabernet Sauvignon

De cor vermelho rubi, com aromas de frutas negras, eucalipto e tabaco. Cinquenta por cento do vinho é envelhecido 6 meses em barricas de segundo e terceiro uso.

Na boca, tem bom corpo, taninos finos, equilibrado e com final de boca ligeiramente tânico. Encorpado e indicado para prato principal, vai bem carnes de caça, picanha, bife de chorizo, massas com molhos picantes e queijos maturados.

Na próxima vez que você escolher seu vinho, já sabe: aquela história que de para ser bom basta ser um vinho caro ou “antigo” é puro mito.

Ficou com vontade de curtir um momento gastronômico? Aproveite para baixar o catálogo de vinhos de inverno e aprender mais sobre as harmonizações.

Catálogo de vinhos de inverno 2021