Beber menos álcool não significa abrir mão de sabor, prazer ou convivência. Pelo contrário: a cerveja sem álcool vem acompanhando um novo jeito de viver e de brindar. Conheça mais sobre o universo das cervejas sem álcool, os estilos que melhor se adaptam à versão zero e saber como harmonizar suas bebidas.

Aqui você vai ver:

O que define uma cerveja sem álcool?

Tecnicamente, no Brasil, uma cerveja é considerada sem álcool quando possui até 0,5% de teor alcoólico. Esse resíduo é praticamente imperceptível ao paladar e não provoca os efeitos associados ao consumo de álcool. É considerada uma opção segura para quem vai dirigir, permitindo brindar e aproveitar o momento sem preocupação.

É importante destacar que a cerveja sem álcool não é refrigerante, nem suco maltado. O processo de produção envolve todas as etapas da brassagem: leva água, malte, lúpulo e levedura, passa por fermentação e desenvolve aromas, sabores e corpo, respeitando os diferentes estilos que abrangem o universo cervejeiro. A diferença está no processo de remoção ou controle do álcool.

Etapas da brassagem. Infográfico Zona Sul.

Como o álcool é retirado da cerveja?

Diversas bebidas passam por processos de “quebra” de algumas substâncias características, como o leite zero lactose, do café descafeinado. No caso da cerveja, o álcool é retirado da cerveja após sua fabricação por meio de diferentes técnicas.

Os métodos mais utilizados para remover o álcool da cerveja combinam tecnologia e controle sensorial. Hoje, os principais são:

  • Fermentação interrompida: a fermentação é controlada e interrompida antes da formação significativa de álcool, mantendo os elementos básicos da cerveja.
  • Evaporação do álcool (aquecimento controlado ou a vácuo): o álcool é removido após a fermentação completa por meio de aquecimento suave, muitas vezes sob vácuo, preservando o perfil sensorial.
  • Osmose reversa (filtração por membranas): processo tecnológico que separa o álcool dos demais compostos da cerveja, permitindo a recomposição de aromas e sabores.
  • Uso de leveduras especiais: emprego de cepas selecionadas que produzem naturalmente baixos níveis de álcool durante a fermentação.

O aquecimento controlado com evaporação do álcool, especialmente em sistemas a vácuo, é atualmente o método mais utilizado na indústria, por sua eficiência e facilidade de aplicação, e controle do processo.

Toda cerveja pode apresentar uma versão sem álcool?

Apesar da grande variedade de estilos atualmente disponíveis em versões zero álcool, a verdade é que nem todo estilo de cerveja se adapta bem a esse processo, embora tecnicamente quase todos possam ser produzidos. Isso porque a diferença está no resultado sensorial.

Quanto mais alcoólico, encorpado e “quente” o estilo, pior ele funciona sem álcool. Isso acontece porque o álcool não serve só para “embriagar”: ele carrega aroma, dá corpo, equilibra doçura e amargor. Quando ele sai, alguns estilos perdem identidade.

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É o caso de estilos mais fortes e encorpados, como Barleywine, Imperial Stout, Doppelbock e as cervejas belgas de alta graduação, nos quais o álcool faz parte da identidade do sabor, dos aromas e da sensação na boca. Sem ele, essas cervejas tendem a perder profundidade e característica.

Por outro lado, quanto mais leve, aromático ou ácido o estilo, melhor ele se adapta, porque sua identidade está mais ligada à leveza, ao frescor e aromas do que ao teor alcoólico. Pilsen e outras Lagers leves mantêm refrescância e equilíbrio, Weiss e Witbier preservam aromas naturais do trigo e das especiarias, enquanto IPAs mais aromáticas conseguem expressar o lúpulo mesmo sem álcool. Sours também se adaptam muito bem, já que a acidez garante estrutura e personalidade ao estilo.

Novos estilos estão surgindo

Hoje, a tendência do mercado de cervejas vai além de tentar reproduzir todos os estilos tradicionais e abre espaço para a criação de subestilos próprios “non-alcoholic”, desenvolvidos desde a receita, para entregar aroma, corpo e equilíbrio sem depender do álcool. O resultado não é uma versão reduzida da cerveja original, mas um estilo pensado para ser sem álcool, com identidade e proposta próprias.

Nesses casos, o álcool não é retirado depois da fabricação: a cerveja já nasce planejada para ser sem álcool, com identidade própria.

Até mesmo cervejarias dedicadas à produção de cervejas sem álcool estão surgindo. Um exemplo é a SIM!, primeira cervejaria brasileira 100% dedicada à produção de cervejas sem álcool.

Por que o consumo de cervejas sem álcool cresceu tanto?

Levante a mão se você já provou uma cerveja sem álcool ou se já viu a opção nos cardápios de bares e restaurantes. Se você respondeu, sim, deve ter notado que o crescimento desse segmento não é moda passageira. Segundo o Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (SINDICERV), ele reflete mudanças profundas no comportamento do consumidor.

Cada vez mais pessoas buscam reduzir o consumo de álcool, sem que isso interfira na vida social, agregando ao prazer das experiências gastronômicas. O consumo mais consciente está alinhado ao movimento do mindful drinking, que valoriza escolhas intencionais em vez de restrições.

Mais do que uma alternativa, a cerveja sem álcool ajuda a ressignificar o ato de beber como uma experiência social, cultural e sensorial — sem que o efeito do álcool seja o centro da escolha.

Para quem curte uma cervejinha no happy hour, na resenha com os amigos ou no bom e conhecido churrasco, as opções sem álcool permitem que quem dirige, treina no dia seguinte, está grávida ou simplesmente prefere não beber álcool desfrute do prazer do brinde.

Cervejas sem álcool passaram de “única alternativa” a opção preferida.

Essa escolha vai além da necessidade, uma vez que a categoria deu um grande salto de qualidade sensorial, que transformou a cerveja sem álcool em escolha pelo prazer e pelo sabor, em vez de ser uma “alternativa possível”.

Dicas do Expert para harmonizar sua cerveja sem álcool

Para quem quer mergulhar nesse universo com boas referências, o Expert em Cervejas José Padilha sugere rótulos que se destacam pelo sabor, pelo equilíbrio e pela facilidade de beber. Siga as dicas e saiba como harmonizar os estilos:

  • Pilsen e cervejas de trigo: ideais com fritos, como bolinho de bacalhau, equilibrando gordura e refrescância
  • Catharina Sour: combina muito bem com ostras e frutos-do-mar, reforçando notas salinas e de maresia
  • APA (American Pale Ale): boa escolha para hambúrgueres e carnes suínas, usando o amargor e o aroma do lúpulo para equilibrar a gordura

Para conhecer mais estilos e combinações, fique por dentro dos artigos do Expert José Padilha.