Por Maria Helena Esteban @mariahelenaesteban

Que tal embarcar em um passeio por diferentes combinações de sabores? E ainda explorar muitas versões de um peixe pouco conhecido pelos cariocas? O Festival Gosto da Amazônia RJ propõe que chefs e público descubram o pirarucu selvagem de manejo sustentável.

Mais de 70 bares e restaurantes estão servindo, entre 9 e 25 de julho, pratos especiais. Foram criados para o evento que acontece em três cidades: Rio de Janeiro, Niterói e Nova Iguaçu.

E pela primeira vez o peixe amazônico pode ser comprado ao natural, para que o público experimente em suas próprias receitas.

Festival Gosto da Amazônia.

O esplendor da floresta

O pirarucu selvagem é o maior peixe de escamas de água doce do mundo e um dos símbolos da Amazônia. O manejo sustentável, feito por comunidades indígenas e ribeirinhas, vem contribuindo para preservar a espécie. Além disso, garante a preservação da floresta e, também, o desenvolvimento econômico e social da região.

Leia mais sobre o pirarucu na gastronomia.

O manejo do pirarucu selvagem gera renda para as comunidades tradicionais da Amazônia e contribui para a conservação da Floresta. (Foto: Bernardo Oliveira)

O pescado servido no festival chegou diretamente da Amazônia.  Dados mostram como o apoio à iniciativa é uma contribuição à questão socioambiental. Nas áreas onde o manejo é praticado, a quantidade de pirarucus aumentou em torno de 400% nos últimos dez anos. A ação une sabor à sustentabilidade, ajudando, desse modo, na proteção de mais de 11 milhões de hectares de floresta, vigiados para não haver pesca predatória nem devastação do ambiente.

Tempero com propósito

Tem pastel! Tem sofisticação! Tem hambúrguer! Tudo com pirarucu selvagem. São receitas com as mais diversas inspirações. Inclusive, com referências da tradicional cozinha francesa.

A carne do peixe é saborosa, não tem espinhas e pode ser preparada de várias maneiras – com cortes de lombo ou barriga.

Ricardo Lapeyre, chef e proprietário do restaurante Escama, explica sua criação: “Nosso prato feito com lombo de pirarucu é um strudel. Tentei fazer um prato bem franco-brasileiro, com massa folhada, molho champanhe, tomatinhos assados, cogumelo Paris e espinafre”. O chef, que é também um dos embaixadores do pirarucu selvagem de manejo no Rio, ressalta: “Eu adoro esse peixe, adoro o programa todo. Tive a oportunidade de ir para a Amazônia e conheci de perto como eles tratam o peixe. É realmente incrível”.

Outra verdadeira celebração à união França-Brasil se dá no Chez Claude, com assinatura Troisgros. Ali, o pirarucu assado com taioba é servido com o clássico molho francês beurre blanc ¬ mas desta vez personalizado com o amazônico tucupi ¬ e acompanhado de caviar mujol e espaguete feito do brasileiro palmito pupunha.

Pirarucu assado com taioba, por Chez Claude. Foto: Rodrigo Azevedo.

O Aconchego Carioca, da chef Kátia Barbosa, também traz pitadas internacionais. A chef criou uma brandade de pirarucu, que substitui o bacalhau no típico prato francês.

Novos mares e ares

Os amantes de churrasco contam com momento muito especial. Jimmy Ogro comanda uma churrascada de barriga de pirarucu, na Cervejaria Tio Ruy, na Gávea. O evento em espaço aberto acontece no dia 11 de julho, domingo, e tem número limitado de cem pessoas, sendo necessário fazer reserva. Jimmy assina a barriga de pirarucu na brasa, acompanhada de fritas e banana assada (R$49).

Nos demais dias, a cervejaria serve, tanto na Gávea quanto no Uptown Barra, a Barriga de pirarucu à la Ogro (assada e dourada sobre purê de banana-da-terra e manteiga ao molho de moqueca).

Com força total, os petiscos entram em cena. No Brewteco, botequim com endereços em diferentes bairros, por exemplo, a proposta de democratizar o pirarucu elevou o pastel a um novo patamar: “Serviremos, em todas as casas, pastel recheado com lombo de pirarucu, refogado no azeite de dendê, coentro e jambu. Na unidade da Gávea, como prato principal, preparamos barriga de pirarucu marinada no tucupi, feita na parrilla, servida com molho e crocante de açaí”, conta Guilherme Saavedra, chef executivo da casa.

O festival que teve a primeira edição, em 2019, concentrada em casas da Cadeg e do Uptown Barra, ganhou novos endereços espalhados pelo Rio. E, agora, alcança também os municípios de Niterói e Nova Iguaçu.

Onde comprar

A venda do produto in natura em todas as lojas do supermercado Zona Sul em porções congeladas, pela marca Cia. do Peixe, e também em pratos do Salada Bar da rede, amplia ainda mais a ação. A participação do supermercado no evento, com meia tonelada do produto, promove um alcance inédito na venda do pescado sustentável no Estado do Rio. Cria, assim, uma importante ponte com as questões ambientais da Amazônia.

O prato, criado com exclusividade pelo gestor gastronômico Roberto Neves para o Zona Sul, chama-se Fish ‘n chips Amazonense e estará disponível no menu a partir do dia 9 de julho nas seguintes lojas:

  • Rua Dias Ferreira, 290 – Leblon
  • Av. das Américas, 16237 – Recreio
  • Rua Bartolomeu Mitre, 705 – Leblon
  • Av. das Américas, 8888 – Barra (Santa Mônica)
  • Rua Barão da Torre, 220 – Ipanema

Se você quer levar o festival para sua casa, pode comprar o pirarucu de manejo sustentável.

O Festival Gosto da Amazônia reúne causas atuais e importantes. Além de promover a valorização do produto nacional e o diálogo entre vários estilos gastronômicos, incentiva a retomada do setor de restaurantes. E congrega todos em torno de uma causa sustentável.